13 de out de 2013

Terça-feira da 28ª Semana do Tempo Comum



REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Reflexões de Frei Carlos Mesters, O.Carm.

Terça-feira da 28ª Semana do Tempo Comum


1) Oração

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça
para que estejamos sempre atentos
ao bem que devemos fazer.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 11, 37-41)

37Enquanto Jesus falava, pediu-lhe um fariseu que fosse jantar em sua companhia. Ele entrou e pôs-se à mesa. 38Admirou-se o fariseu de que ele não se tivesse lavado antes de comer. 39Disse-lhe o Senhor: Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade! 40Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o conteúdo? 41Dai antes em esmola o que possuís, e todas as coisas vos serão limpas.

3) Reflexão   Lucas 11,37-41
*  No evangelho de hoje continua o relacionamento tenso entre Jesus e as autoridades religiosas daquele tempo. Apesar de tenso, havia algo de familiar entre Jesus e os fariseus. Convidado para jantar na casa deles, Jesus aceita o convite. Jesus não perde a liberdade diante deles, nem os fariseus diante de Jesus.
Lucas 11,37-38: Admiração do fariseu diante da liberdade de Jesus
“Enquanto Jesus falava, um fariseu o convidou para jantar em casa. Jesus entrou, e se pôs à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tinha lavado as mãos antes da refeição”. Jesus aceita o convite para jantar na casa do fariseu, mas não muda o seu modo de agir, pois senta-se à mesma sem lavar as mãos. Nem o fariseu muda de atitude frente a Jesus, pois expressa a sua admiração pelo fato de Jesus não lavar as mãos. Naquele tempo, lavar as mãos antes das refeições era uma obrigação religiosa, imposta ao povo em nome da pureza, exigida pela lei de Deus. O fariseu estranhou o fato de Jesus não observar esta norma religiosa. Mesmo assim, apesar de totalmente diferentes, o fariseu e Jesus tinham algo em comum: a seriedade de vida. O jeito de viver dos fariseus era assim: cada dia, dedicavam oito horas ao estudo e à meditação da lei de Deus, outras oito horas ao trabalho para poder sobreviver com a família e oito horas ao descanso. Este testemunho sério da sua vida dava a eles uma grande liderança popular. Talvez seja por isso, que, apesar de totalmente diferentes, os dois, Jesus e os fariseus, se entendiam e se criticavam mutuamente, sem perder a possibilidade do diálogo.
Lucas 11,39-41: A resposta de Jesus
“Vocês, fariseus, limpam o copo e o prato por fora, mas o interior de vocês está cheio de roubo e maldade. Gente sem juízo! Aquele que fez o exterior, não fez também o interior? Antes, dêem em esmola o que vocês possuem, e tudo ficará puro para vocês”. Os fariseus observavam a lei ao pé da letra. Olhavam só a letra e, por isso, eram incapazes de perceber o espírito da lei, o objetivo que a observância da lei queria alcançar na vida das pessoas. Por exemplo, na lei está escrito: “Ame o seu próximo como a si mesmo” (Lv 19,18). E eles comentavam: “Devemos amar o próximo, sim, mas só o próximo, os outros não!” E daí nascia a discussão em torno da questão: “Quem é meu próximo?” (Lc 10,29) O apóstolo Paulo escreve na sua segunda carta aos Coríntios: “A letra mata, é o espírito que dá vida à letra” (2Cor 3,6). No Sermão da Montanha, Jesus critica os que observam a letra da lei mas transgridem o espírito da lei (Mt 5,20). Para ser fiel ao que Deus pede de nós não basta observar só a letra da lei. Isto seria o mesmo que limpar o copo e o prato por fora e deixar o interior cheio de sujeira: roubo e maldade. Não basta não matar, não roubar, não cometer adultério, não jurar. Só observa plenamente a lei de Deus aquele que, para além da letra, vai até à raiz e arranca de dentro de si os desejos de “roubo e de maldade” que possam levar ao assassinato, ao roubo, ao adultério. É na prática do amor que se realiza a plenitude da lei (cf. Mt 5,21-48).

4) Para um confronto pessoal
1) Nossa Igreja hoje merece esta acusação de Jesus contra os escribas e fariseus? Eu mereço?
2) Respeitar a seriedade de vida dos outros que pensam diferente de nós pode facilitar o diálogo tão necessário e tão difícil hoje em dia. Como pratico o diálogo na família, no trabalho e na comunidade? 

5) Oração final

Desçam a mim as vossas misericórdias, Senhor,
e a vossa salvação, conforme vossa promessa.
Não me tireis jamais da boca a palavra da verdade,
porque tenho confiança em vossos decretos. (Sl 118, 41.43)





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